Constantes quedas nas condições das lavouras de milho americanas.
Previsão é de prejuízo maior nas safras norte-americanas.
No relatório semanal sobre a colheita americana de milho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), referente ao dia 15/agosto/2022, o processo de floração do milho avançou 4 p.p., 3 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos e 4 p.p. abaixo do ano de 2021. Em Iowa e Illinois, os principais produtores de milho do país, os números de floração se encontram próximos da média.
Em relação ao processo de enchimento de grãos de milho, viu-se semana passada um avanço em 17 p.p., atingindo a marca de 62% do progresso total e apenas 3 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos. O único estado americano que demonstra um atraso considerável nesta etapa é Minnesota, que se encontra em 44%, abaixo dos 61% da média dos últimos cinco anos.
De acordo com o último relatório, em 16% das lavouras de milho americanas o processo de formação dos grãos com dentes formados está concluído, ficando apenas 4 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos e do ano de 2021.
O clima ruim está prejudicando preocupantemente a qualidade dos campos de milho americanos, sendo pauta no mercado internacional para uma possível queda ainda maior do que a divulgada no WASDE (Estimativa Global de Oferta e Demanda na Agricultura) para níveis de produtividade do milho nos Estado Unidos. O percentual de lavouras boas/excelentes cai 1% esta semana, ficando 7 p.p. abaixo do número visto em 2021 e 8 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos.
Estimativas de produtividade da safra de milho nos EUA em 2022/23.
USDA confirma conservadorismo no relatório de agosto/22. Ajustes negativos de produtividade devem vir nas próximas publicações.
As perdas nos indicadores de qualidade nas lavouras americana têm alimentado as apostas de ajustes negativos nas produtividades nos EUA pelo USDA. A partir dos dados de produtividade de milho pelo USDA divulgados no WASDE (Estimativa Global de Oferta e Demanda na Agricultura) entre 2010-2022, buscou-se entender o comportamento do departamento em relação às mudanças na produtividade agrícola, comparando as estimativas no começo da safra, em agosto e os valores efetivos.
Dentre os 12 anos analisados, oito apresentaram mudança no mês de agosto coerente com as estimativas efetivas do final da colheita, ou seja, o relatório de agosto costuma acertar a direção de ajuste das produtividades na maior parte dos anos. Contudo, somente em uma temporada, a variação em agosto em relação ao relatório inicial foi maior do que 5%, reforçando o caráter conservador do relatório de agosto do USDA.
Nos dados divulgados na última sexta-feira (12/08), mostrou expectativas de produtividade em 11t/ha, queda de menos de 1% em relação à estimativa anterior. O número está próximo das expectativas do mercado para o relatório, contudo, acima do que os dados de condições de lavouras apontam para o rendimento nas lavouras.
Para o futuro, apesar de assertivo em relação a direção do ajuste, ainda pode se esperar novas alterações nos valores de produtividade, sobretudo a partir de setembro, no qual o USDA considerará as pesquisas de campo. Vale lembrar que as condições das lavouras nesse período são as piores desde 2019 e mantém-se perspectiva de manutenção de temperaturas acima do normal e chuvas abaixo do normal em parte do Corn belt.
Mancha-branca no milho.
Entenda a doença em apenas cinco perguntas!
1.O que causa?
Os microrganismos responsáveis pela doença é a bactéria Pantoea ananatis e o fungo Phaeosphaeria maydis, ambos são disseminados pela ação dos ventos e respingos de água.
2. Quais as condições ideais? Condições que favorecem sua propagação da doença são:
- Presença do patógeno;
- Umidade relativa maior do que 70%;
- Temperaturas amenas (14°C a 20°C);
- Plantio tardio facilitando a incidência.
3. Mas como identificar?
Os sinais surgem no estágio V9 de desenvolvimento, e a fase crítica ocorre VT-R5. São lesões bem nítidas que se manifestam na ponta da folha e se espalha até base, atingindo a parte inferior. Apresentam formato circular ou oval, seguida das seguintes fases:
fase 1: com aspecto de encharcamento (anasarca), sendo a mais difícil de identifica;
fase 2: de coloração grafite evoluindo para coloração cinza;
fase 3: coloração pardas claras;
fase 4: parda clara à branca e colocação verde-clara. Com a evolução da doença se tornam necróticas e adquirem coloração palha.
Figura 1: Ciclo da mancha-branca (Phaeosphaeria maydis).
Fonte: PIONNER SEMENTES.
4. Por que na segunda safra têm maior ocorrência?
Na segunda safra as condições climáticas predominantes são poucas chuvas e baixa umidade, se tornando ótimas condições, tornando-as mais susceptíveis ao ataque do patógeno.
5. Quais são as práticas de prevenção?
- Antecipar plantio – Sistema Antecipe;
- Rotação com culturas não susceptíveis;
- Uso de híbridos menos susceptíveis, por exemplo aqueles desenvolvidos pela Embrapa.
Condição nas qualidades das lavouras americanas cai novamente.
Preocupação no mercado é reforçada.
No relatório do dia 08/agosto/2022 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o processo de floração avançou 10 p.p. nas lavouras de milho, 3 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos e 4p.p. abaixo do ano de 2021. Em Iowa este processo está quase finalizando, e apenas 2 p.p. abaixo da média do estado nos últimos cinco anos, enquanto Illinois está na média dos últimos cinco anos.
Já no processo de enchimento de grãos de milho, indica-se leve atraso em relação à safra passada e à média dos últimos 5 anos. Em algumas regiões, parte das lavouras já vão para o fim do processo de formação de grãos, tendo 6% da área plantada com dentes formados.
O clima quente e seco está prejudicando de forma preocupante a qualidade dos campos de milho nos Estados Unidos. No total, apenas 58% das áreas do cereal estão em boas/excelentes condições, 3 pontos abaixo da última semana e 7 pontos em relação à média dos últimos 5 anos. Esta piora de condição das culturas americanas assustou o mercado internacional, ocasionando aumentos de preços e incertezas quanto à produtividade.
Faturamento e Preços médios de Exportação Recordes no Primeiro Semestre!
Segundo semestre com expectativa de safra cheia e grandes volumes a serem embarcados.
Desde o 2º semestre/2021, os preços registrados na exportação do cereal mostram recorde na última década. A média dos preços de exportação de milho, que atingiu US$ 433/t em março/22 (início do conflito no leste europeu), alcançou US$ 327/t no último mês. Até junho/22 as exportações de milho brasileiro haviam atingido 6,4 milhões de toneladas e US$ 1,8 bilhões, faturamento 141% maior que o mesmo período do ano passado.
No último mês houve queda dos preços internacionais das commodities que, apesar de ser limitado pela valorização do real, deve pressionar o próximo acompanhamento à queda nos preços médios de exportação.
Em termos de volume, para os próximos meses, com a chegada da safra inverno, a disponibilidade de grãos aumenta e as exportações ganham ritmo. Com o andamento da colheita e bons resultados no campo houve revisão dos números de oferta brasileira do cereal, bem como das exportações, podendo passar de 40 milhões de toneladas até fevereiro/23, número bem superior ao ano passado, que depois da quebra de produtividade da safra inverno não conseguiu exportar o esperado.
Piora das condições de safra de milho nos EUA pode diminuir a produção do cereal em 20 milhões toneladas em relação à estimativa atual do USDA.
Fonte: USDA. Elaboração: Céleres®. Atualizado em agosto/2022.
No relatório do dia 01/agosto/2022, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), foi notado um avanço de 18 p.p. no progresso de formação de espigas de milho nas lavouras americanas, 5 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos e 9% abaixo do ano passado. Nos principais estados americanos produtores de milho, a situação da etapa de formação de espigas está dentro da normalidade, no qual Illinois está 1 p.p. acima da média dos últimos cinco anos e Iowa apenas 2 p.p. abaixo da média.
Devido às chuvas oportunas semana passada, foi visto uma estabilidade das condições das lavouras em relação à semana passada, apesar de das lavouras em boas/excelentes condições continuarem 4 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos.
Devido aos problemas vivenciados na safra 2022/23, começa-se a discutir sobre a produtividade final das colheitas futuras, pois os números estimados pelo USDA não estão considerando os eventos recentes. Segundo a Céleres®, as estimativas de produtividade para safra de milho norte-americana, considerando a atual situação das lavouras, deveria ser de 10,45 t/ha em 2022/23, 6% abaixo da última estimativa do USDA.
Mesmo que de forma moderada, deve-se esperar revisões de produtividade do Departamento no próximo dia 12/08. Se confirmada a menor produtividade, a oferta nos EUA poderia ser 20 MM t abaixo da estimativa atual e 35 MM t menor que a temporada passada.
Enilson Nogueira e Erickson Oliveira, falaram um pouco sobre a alta dos preços de fertilizantes para a revista Campo e Negócios.
Este mês nossos analistas de mercado, Enilson Nogueira e Erickson Oliveira, falaram um pouco sobre a alta dos preços de fertilizantes para a revista Campo e Negócios.




Antecipe seu Plantio de Milho Consorciado com a Soja!
Entenda como funciona e o como implica no milho.
O sucesso projeto Antecipe se deve ao desenvolvimento de uma semeadora-adubadora, mas para que alcance alta produtividade, é importante levar em consideração alguns pontos, sendo eles: a manutenção da entrelinha limpa e o espaçamento ajustado entrelinha de 45 centímetros – para que não danifique a soja.
E em que momento ocorre o plantio de milho?
Ocorre quando a soja alcança a estágio e enchimento de grãos (R5) ou início de “louramento”, o que beneficia ambas as culturas, por não haver competição, pois a soja já estará com o grão formado e o milho por sua vez conseguirá atingir seus estágios fenológicos sem estresse.
E durante a colheita da soja, o que acontece com o milho?
Durante a colheita de soja, vai existir um dano econômico no milho, que por estar ainda no estágio V4-V5, logo a perda da área foliar do cereal será pequena, já que o milho conseguirá se regenerar e seguir crescendo sem impacto relevante na produtividade.
Assim, como qualquer método de plantio, também leva seus desafios, como por exemplo:
- falta de mão de obra qualificada e;
- alto custo.
E durante a colheita, o que acontece?
Durante a operação realiza-se a colheita de soja juntamente com o milho. Mas, para isto o milho precisa estar entre o estágio V4-V5, porque no momento do corte restará apenas um “toco”, de modo que essa perda tanto de área foliar quanto de energia armazenada para a realização de fotossíntese, seja insignificante, de modo que, consiga se reestruturar a partir do colmo danificado em 15 dias.
Continuidade de clima ruim nos Estados Unidos atrapalha as condições das lavouras de milho.
Fonte: USDA. Elaboração: Céleres®. Atualizado em julho/2022.
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No relatório divulgado no dia 25/julho/2022, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), viu-se um avanço significativo de 25 p.p. no progresso de formação de espigas de milho nas lavouras americanas, estando agora apenas 8 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos e 14 p.p. abaixo do ano passado.
Já nos principais estados produtores, viu-se uma melhora expressiva na evolução de formação de espiga se encontram 10 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos. O enchimento dos grãos de milho avançou 7 p.p. esta semana, 2 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos e 4 p.p. em relação ao ano passado.
Devido às temperaturas acima da normal e umidade abaixa da normal em julho/2022, as qualidades das lavouras de milho estadunidenses tiveram mais uma queda expressiva, caindo 3 p.p. em relação à semana passada e 4 p.p em relação à medias dos 5 anos. Piora nas condições eleva as tensões para oferta norte-americana e a volatilidade de preços internacionais. O mercado climático nos EUA deverá se estender até agosto/22.
Macroeconomia e impactos sobre preços de milho.
Possibilidade de recessão, elevação dos juros globais e valorização do dólar pressionam os preços mundiais da commodities agrícolas.
Fatores macroeconômicos têm participação relevante na formação dos preços globais de commodities agrícolas, tanto pela relação com a dinâmica da demanda mundial quanto pela ação dos fundos de investidores nas bolsas de commodities agrícolas.
A elevação de juros globais para combater inflação, a valorização do dólar frente às várias moedas pelo mundo, ambas a partir do 2º trimestre de 2022, e a potencial desaceleração econômica impuseram um freio de arrumação para os preços agrícolas internacionais que vinham numa trajetória de alta desde meados de 2020.
O vencimento setembro/22 chegou a ser cotado a US$ 7,7/bushel em meados de maio/22, porém, caiu para faixa de US$ 6,0-6,5/bushel na primeira metade de julho/22 – patamares anteriores ao conflito Rússia e Ucrânia.
Para o produtor de milho brasileiro, o mesmo movimento de valorização do dólar tem beneficiado a formação de preços internos ao depreciar o Real, limitando a queda das cotações nacionais do cereal. Nos próximos 45 dias, as atenções do mercado com a macroeconomia global devem dividir espaço com a clima e evolução da safra norte-americana – que ainda ocorre próximo da normalidade, apesar do receio com clima mais quente e seco neste período.